sexta-feira, janeiro 8

MUSICALIDADE PARA OS PEQUENOS...


A CONTRIBUIÇÃO DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO


A música esta presente em todas as culturas, nas mais diversas situações: festas e comemorações, rituais religiosos, manifestações cívicas, políticas etc.” ( Beber, 2009).
A música é uma forma de se comunicar e expressar sensações, sentimentos e pensamentos, através da organização e relacionamento expressivo dado entre o som e o silêncio (Beber, 2009). Assim como menciona Santos (1997), não se pode “imaginar um mundo sem som e, se pararmos para analisar”, pois “quase todos os sons que ouvimos durante dia-a-dia, são como instrumentos musicais tocando alguma melodia”, e isso vai desde os “pingos de uma torneira, os trovões, a chuva, as cigarras cantando lá fora, o arrastar de um chinelo ao andar, as ondas do mar explodindo na praia e tantos outros”. (A.S.L. Santos,1997)Música é a arte de coordenar fenômenos acústicos para produzir efeitos estéticos. Em seus aspectos mais simples e primitivos, a música é manifestação folclórica, comum a quase todas as culturas: nesse caso, essencialmente anônima e apoiada na transmissão oral, espelha particularidades étnicas determinadas. Com o fim do isolamento cultural que a geografia impôs à humanidade durante séculos e com a crescente urbanização, muitas tradições desse caráter estão ameaçadas de total desaparecimento. Historicamente, música popular era qualquer forma não folclórica muito difundida -- desde as canções dos menestréis medievais e trovadores até peças musicais de grande refinamento, originalmente compostas para uma pequena elite. Na era vitoriana e no início do século XX, era a música dos cabarés e vaudevilles, mais tarde substituída pelas canções-tema das peças musicais. Enquanto isso, as formas cultas da música ocidental pertencem a uma linhagem européia cuja origem remonta aos primórdios da civilização cristã. (musica e adoração, 2009).“A audição musical alegra o ouvinte e o torna sutilmente ligado ao ambiente sonoro. Sendo assim, a música é, com freqüência, preferível ao silêncio, em particular para pessoas com dores, porque o silêncio pode ampliar sua consciência do desconforto. A música leve, de fundo, pode aliviar o estresse e a ansiedade, simplesmente por capacitar a harmonia ou sintonia com o ambiente.” (Silva, 2003)
A história da músicaA música esteve presente desde a pré-história, sendo descoberta “Somente através do estudo de sítios arqueológicos”, onde foi possível “ter uma idéia do
desenvolvimento da música nos primeiros grupos humanos.” Assim a "arte rupestre encontrada em cavernas dá uma vaga idéia desse desenvolvimento ao apresentar figuras que parecem cantar, dançar ou tocar instrumentos.” Sendo estes “Fragmentos do que parecem ser instrumentos musicais” podendo oferecer “novas pistas para completar esse cenário. No entanto, toda a cronologia do desenvolvimento musical não pode ser definida com precisão.”. Dessa forma não pode-se pesquisar se a música vocal surgiu antes ou depois das batidas com bastões ou percussões corporais.”. Porém podemos dizer que “a partir dos desenvolvimentos cognitivos ou da habilidade de manipular materiais, sobre algumas das possíveis evoluções na música.”. (Wikipédia, a enciclopédia livre.).
A partir da idade antiga “As primeiras civilizações musicais se estabeleceram principalmente nas regiões férteis ao longo das margens de rios na Ásia central, como as aldeias no vale do Jordão, na Mesopotâmia, Índia (vale do Indo atualmente no paquistão), Egito (Nilo) e China (Huang He). A iconografia dessas regiões é rica em representações de instrumentos musicais e de práticas relacionadas à música. Os primeiros textos destes grupos apresentam a música como atividade ligada à magia, à saúde, à metafísica e até à política destas civilizações, tendo papel freqüente em rituais religiosos, festas e guerras. As cosmogonias de várias destas civilizações possuem eventos musicais relacionados à criação do mundo e suas mitologias freqüentemente apresentam divindades ligadas à música.” (Wikipédia, a enciclopédia livre.).
Segundo Santos (A.S.L, 1997) a mitologia grega apresenta o semideus Pã, que através de sua flauta, eliminava os maus sentimentos das pessoas ao seu redor. Para Homero, um famoso historiador que precedeu Platão, a música era uma dádiva divina para o homem que com ela poderia alegrar a alma e assim apaziguar as perturbações de sua mente e de seu corpo.(A.S.L.Santos, 1997).Conforme mencionado por Santos (A.S.L.Santos, 1997):“no Egito, por volta de 1880, foi encontrado um papiro, datado de 4500 a.C, que revelava uma organizada estrutura de utilização de um sistema de sons e musicas, instrumentais ou vocais, para o tratamento de problemas emocionais e espirituais.”Para Santos (A.S.L, 1997) o “uso da música para combater enfermidades é quase tão antigo quanto a música em si.” já que tem-se “conhecimento desde papiros médicos egípcios que datam de 1500 a.C. e que se referem ao encantamento pela música, influenciando favoravelmente a fertilidade da mulher até citações bíblicas(...)”, assim como mencionado em Samuel, 16:23: " Quando o mau espírito de Deus se apodera de Saul, David tomava a harpa, tocava-a, e Saul acalmava-se e sentia-se melhor, e o espírito mau afastava-se dele...".(A.S.L. Santos, 1997).De acordo com Santos (A.S.L, 1997) há diversos relatos históricos do uso da música como terapia para estados melancólicos. Desde o ano de 1500, o pintor Hugo Van der Goes "acreditava estar perdido e condenado às penas do inferno, e queria suicidar-se", dessa forma, foi levado a Bruxelas, onde chamaram o padre superior que, depois de examiná-lo, chegando a conclusão de que o paciente sofria do mesmo mal que Saul e, relembrando do relato bíblico, sendo então mandado para um local onde seriam tocado vários instrumentos diante do enfermo, com o intuito de promover sua melhora.
Já no século XVIII, Lorry atribui à música um efeito tríplice: excitante, calmante e harmonizante. (A.S.L.Santos, 1997).A música faz parte da educação desde há muito tempo, sendo que, já na Grécia antiga, era considerada como fundamental para a formação dos futuros cidadãos, ao lado da matemática e da filosofia.“A música é a forma mais antiga de nos expressarmos. De fato, a música é o homem e o homem é a música, pois ela toca em sentimentos profundos fazendo com que respondamos com todo o nosso ser.” (A.S.L.Santos, 1997).
A música na educaçãoA música desenvolveu na educação um importante papel, sendo afirmado por Weigel (1988) e Barreto (2000) que essa atividade pode contribuir como reforço no desenvolvimento cognitivo/lingüístico, psicomotor e sócio-afetivo da criança (citado em Chiarelli, 2005). Alguns dos pontos principais descritos pelos autores são:Desenvolvimento cognitivo/ lingüístico:A fonte de conhecimento da criança são as situações que ela tem oportunidade de experimentar em seu dia a dia. Dessa forma, quanto maior a riqueza de estímulos que ela receber melhor será seu desenvolvimento intelectual. Nesse sentido, as experiências rítmico musicais que permitem uma participação ativa (vendo, ouvindo, tocando) favorecem o desenvolvimento dos sentidos das crianças. Ao trabalhar com os sons ela desenvolve sua acuidade auditiva; ao acompanhar gestos ou dançar ela está trabalhando a coordenação motora e a atenção; ao cantar ou imitar sons ela esta descobrindo suas capacidades e estabelecendo relações com o ambiente em que vive. Desenvolvimento psicomotor:As atividades musicais oferecem inúmeras
oportunidades para que a criança aprimore sua habilidade motora, aprenda a controlar seus músculos e mova-se com desenvoltura. O ritmo tem um papel importante na formação e equilíbrio do sistema nervoso. Isto porque toda expressão musical ativa age sobre a mente, favorecendo a descarga emocional, a reação motora e aliviando as tensões. Qualquer movimento adaptado a um ritmo é resultado de um conjunto completo (e complexo) de atividades coordenadas. Por isso atividades como cantar fazendo gestos, dançar, bater palmas, pés, são experiências importantes para a criança, pois elas permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, fatores importantes também para o processo de aquisição da leitura e da escrita.Desenvolvimento sócio-afetivo:A criança aos poucos vai formando sua identidade, percebendo-se diferente dos outros e ao mesmo tempo buscando integrar-se com os outros. Nesse processo a auto-estima e a auto-realização desempenham um papel muito importante. Através do desenvolvimento da auto-estima ela aprende a se aceitar como é, com suas capacidades e limitações. As atividades musicais coletivas favorecem o desenvolvimento da socialização, estimulando a compreensão, a participação e a cooperação. Dessa forma a criança vai desenvolvendo o conceito de grupo. Além disso, ao expressar-se musicalmente em atividades que lhe dêem prazer, ela demonstra seus sentimentos, libera suas emoções, desenvolvendo um sentimento de segurança e auto-realização.
Muszkat (2009) também afirma que o cérebro humano tem uma predisposição para reagir à música. Somos essencialmente musicais: no ritmo de andar, nos batimentos cardíacos e na fala - que é a música das palavras. A música é importante para o neurodesenvolvimento da criança e de suas funções cognitivas. Sendo assim é importante mencionar que a música já esta sendo percebida pela criança até mesmo durante a gestação, e que “O envolvimento das crianças com o universo sonoro começa antes do nascimento (...)” (Brito 2003, p35), pois, como afirma Fenwick (1998, p23) “Ele é capaz de ouvir sua voz e pode ser acordado por música em volume alto. Talvez prefira algum tipo de música e o demonstre com seus movimentos. E reage com um pulo a ruídos repentinos.”.
Uma das pesquisas realizadas por cientistas da Universidade de Toronto, no Canadá, comprovou que “os recém-nascidos expostos a uma melodia serena permanecem tranqüilos.” Mas a autora ainda acrescenta que “a influência da música vai muito além de acalmar ou agitar bebês e crianças. O potencial da inteligência humana é determinado pelos genes de cada pessoa, no entanto são necessários estímulos para colocar essa inteligência em prática, e é justamente aí que entra a música.” Já que “O estímulo sonoro aumenta as conexões entre os neurônios e, de acordo com cientistas de todo o mundo, quanto maior a conexão entre os neurônios, mais brilhante será o ser humano”. (Britto, 2006). De acordo com Santos (A.S.L. Santos, 1997) algumas pesquisas revelam “que o desenvolvimento da inteligência é bem maior nas crianças cujas mães cantavam para seus bebês, enquanto eles ainda estavam no útero. Partindo desse conhecimento, deve-se considerar que o resultado pode ser ainda mais benéfico se a mãe der continuidade ao estímulo musical da criança.”.
Sendo assim a música é de grande importância para o desenvolvimento de estímulos no ser humano, tornando indispensável sua utilização na aprendizagem de crianças com necessidades especiais, já que:“Crianças mentalmente deficientes e autistas geralmente reagem à música, quando tudo o mais falhou. A música é um veículo expressivo para o alívio da tensão emocional, superando dificuldades de fala e de linguagem. A terapia musical foi usada também para melhorar a coordenação motora nos casos de paralisia cerebral e distrofia muscular. Também é usada para ensinar controle de respiração e da dicção nos casos em que existe distúrbio da fala. (SADIE em BRÉSCIA, 2003, p50).
Para Birkenshaw-Fleming (citado por Joly, 2003) “há diferentes princípios e formas e observação que podem ajudar no ensino de crianças especiais. Quanto mais conhecimento o professor tem acerca do estudante, maior é a adequação de suas propostas de ensino e maior é a sua segurança para promover o desenvolvimento dos alunos.”, não esquecendo também que “o professor deve pesquisar sobre as possibilidades de desenvolvimento de seus alunos e deve conhecer muito bem as limitações e dificuldades de cada um deles.”. Segundo o Referencial Curricular Nacional Para a Educação Infantil vol.3 MEC “A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio da organização e relacionamento expressivo entre o som e o silêncio.”.
“A integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, estéticos e cognitivos, assim como a promoção de interação e comunicação social, conferem caráter significativo à linguagem musical. É uma das formas importantes de expressão humana, o que por si só justifica sua presença no contexto da educação, de um modo geral, e na educação infantil, particularmente.” (Brasil, 1998, vol.3, p.45). De acordo com o RCNEI (1998), “com a utilização da música no trabalho com crianças o objetivo é desenvolver certas capacidades como: ouvir, perceber, e discriminar eventos sonoros diversos, fontes sonoras e produções musicais” aprendendo dessa maneira a “brincar com a música, imitar, inventar e reproduzir criações musicais”, assim como aprender a “explorar e identificar elementos da música para se expressar, interagir com os outros e ampliar seu conhecimento do mundo; perceber e expressar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio de improvisações, composições e interpretações musicais.”.
“(...) uma das primeiras manifestações musicais da criança é o ritmo. Partindo da observação deste fato, surgiu a idéia dos conjuntos de percussão, especialmente da bandinha rítmica, atividade adotada hoje em toda parte.” (Pereira, p.3).
“Um dos principais objetivos da bandinha rítmica é fazer música e dar alegria à vida da criança. Outro objetivo visado na bandinha é sociabilizar a criança e impor-lhe disciplina (...)” (Pereira, p.5).
Segundo ABM (2002, p.16), para que o cérebro desenvolva todo o seu potencial, são necessários estímulos, agindo diretamente em suas centrais de comunicação. Na infância, em especial, este conjunto de estímulos proporcionam o desenvolvimento das fibras nervosas capazes de ativar o cérebro e dotá-lo de habilidades. As pesquisas e estudos comprovam a importância da música às crianças, já que a música por si mesma aumenta as funções cerebrais superiores, os estudos indicam que o treinamento em música gera as conexões nervosas que são usadas para entender os conceitos matemáticos, e aulas de música na infância fazem o cérebro crescer e quanto mais cedo começar o treino musical, maior a área do cérebro. Um dos aspectos importantes mencionados por Birkenshaw-Fleming (citado por Joly, 2003) é que se deve:
“(...) evitar os conceitos pré-fixados sobre os que as crianças ou indivíduos portadores de necessidades especiais podem ou não fazer. O excesso de proteção por parte de pessoas que convivem com a criança nem sempre corresponde com aquilo que ela realmente necessita. É importante manter a mente aberta para perceber as potencialidades de cada um. A autora encoraja o professor a manter uma atitude positiva e animadora frente o aluno, incentivando-o a transpor suas próprias barreiras e possibilidades. Todo o trabalho, diz ela, deve ser feito com paciência e carinho, lembrando-se de que é preciso valorizar a auto-estima de cada aprendiz, motivando-o a reconhecer sua contribuição frente ao grupo em que está inserido.”(citado por Joly, 2003).
Segundo Birkenshaw-Fleming (citado por Joly, 2003) existem alguns possíveis benefícios que podem ser proporcionados aos indivíduos com necessidades especiais através das aulas de música. Alguns desses benefícios se apresentam:
“• Se o professor faz com que o aluno realize algumas atividades com sucesso, possivelmente vai reforçar a sua auto-estima. Ele obtém isso, respeitando as limitações e possibilidades de cada um, encorajando-o a agir por sua própria conta. Competição com outras crianças é usualmente contraproducente e prejudicial. É importante, por outro lado, fazer com que o aluno participe de todos os procedimentos de aula, de maneira que suas realizações se transformem numa experiência válida. Todos devem ser encorajados a dar o melhor de si e serem independentes, tanto nas atividades musicais como em qualquer outra atividade do seu dia-a-dia. • É possível estimular a interação social por meio de atividades musicais, e um bom relacionamento social possibilita ao indivíduo sair de um possível isolamento. • O desenvolvimento do tônus muscular e da coordenação psicomotora pode ser estimulado por meio de atividades que envolvam movimento associado à música. • desenvolvimento da linguagem pode ser estimulado por meio de atividades musicais tais como parlendas, trava-línguas e pequenas canções. • Da mesma forma, pequenas canções e exercícios de acuidade rítmica e melódica podem desenvolver a capacidade auditiva, intelectual e o desenvolvimento da memória. • Por meio de um programa de educação musical bem estruturado e com objetivos bem definidos é possível promover o desenvolvimento físico, intelectual e afetivo da criança com necessidades especiais.A autora ainda aponta para outros aspectos importantes a serem considerados quando se trabalha com indivíduos com necessidades especiais. O ambiente deve ser aconchegante, seguro e motivador, mas não deve desviar a atenção do aluno. Às vezes, muitas cores, desenhos e diferentes objetos podem fazer com que o aluno se distraia muito facilmente do foco de ensino-aprendizagem.”
Dessa forma Birkenshaw-Fleming mostra a importância de trabalhar a música em contextos multidisciplinar, já que, pode-se utilizá-la como meio de interação e aproximação, por estar presente em todas as culturas.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Com base no conhecimento adquirido através de leituras e pesquisas realizadas, a música é um recurso que propicia, promove e mantém o desenvolvimento individual de cada aluno sendo utilizada diretamente no processo ensino-aprendizagem.
É possível a implantação de uma proposta pedagógica afim de relacionar a teoria com a prática, ou seja, trazer para dentro da sala de aula, a vivência de várias culturas através da música, onde aprendemos novos ritmos com diferentes instrumentos musicais, já que cada música possui sua história e significado.
É importante mencionar que para a realização de uma bandinha rítmica com os alunos, deve-se primeiramente utilizar-se de um espaço físico propício, onde se compõem de vários instrumentos e aparelhos musicais. Dessa forma o trabalho pode ser dirigido pela professora, a qual através da música escolhida explica para os alunos quais os instrumentos que serão utilizados, sendo que cada um escolhe o instrumento preferido e assim, cantando e tocando acompanham as músicas.



AUTOR: Inilcéia Aparecida Guidotti Consoni

FONTE:www.psicopedagogia.com.br

2 comentários:

  1. Vc como sempre muito antenada!! Parabéns!
    Pri achei o papel do correio essa semana verei o que aconteceu da sua caixa com o mini álbum, estou muito chateada por vc ainda não ter recebido. Bjs Sonia

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  2. Oi. não me pode dar o nome dos livros desses autores?

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